Teologia

Batistas e Presbiterianos no Brasil

O movimento missionário no Brasil está intimamente ligado à expansão capitalista norte-americana. Missionários batistas e presbiterianos foram enviados às terras brasileiras e apresentaram modelos eclesiásticos diferentes, o que refletiu em graus diferentes de abordagem de cada grupo em meio à população brasileira.

As missões protestantes modernas chegam ao Brasil durante o reinado de D. Pedro II. Nesse período, o Brasil vivenciou uma urbanização crescente, aliada ao tom progressista do imperador, refletido na economia brasileira. A exportação do café e os desdobramentos pós-guerra do Paraguai ajudaram na aceleração da importação de novas tecnologias para o Brasil. O país também desenvolveu sua malha ferroviária, melhorou a infraestrutura dos Correios, além de ter multiplicado seu número de empresas em menos de 25 anos. O Brasil passa a exportar borracha, cacau, e erva mate, além do algodão, que supre a necessidade norte-americana durante a guerra civil. Ao fim do século, todos os grandes centros já contavam com serviços de água, luz, e gás, com estradas pavimentadas e com transporte urbano (Viotti da Costa, 1987).

O estabelecimento do Padroado durante o império de D. Pedro II acabou por enfraquecer o poder da Igreja Católica no Brasil, já que o imperador brasileiro passava a ter controle da Igreja no Brasil, como se esta fosse uma instituição governamental.

No último quarto do século XIX, houve um surto de imigração europeia e norte-americana no Brasil. Os imigrantes que chegaram, trouxeram consigo sua fé, não de matriz católica, mas protestante.

A missão presbiteriana no Brasil começa em 1859, com a chegada do reverendo Ashbel Green Simonton ao Rio de Janeiro e é custeada pelas duas maiores igrejas presbiterianas dos Estados Unidos, a igreja do norte e a igreja do sul. Os missionários presbiterianos pregam dando ênfase à liberdade religiosa, da supremacia econômica do mercado, da educação como processo de formação de uma cidadania responsável, e do progresso através do uso da ciência.

No início, houve um choque de paradigmas. A racionalidade da fé anglo-saxônica era conflituosa em relação ao o sincretismo brasileiro. Além deste problema, crescia, junto com o espírito republicano e nacionalista, recém instaurado no Brasil, aspirações pela autonomia da Igreja Presbiteriana. O conflito gera a criação de uma outra igreja, a Igreja Presbiteriana Independente. Esse sentimento também é refletido na sociedade brasileira, que passa a questionar o patriotismo dos novos convertidos.

A missão batista no Brasil começa em 1881 e a primeira congregação batista é fundada em outubro de 1882. Os primeiros fiéis são gente humilde: um ex-padre e esposa, as domésticas dos missionários, e um funileiro. Um ano depois, a igreja conta com vinte fiéis e seis “pontos de pregação” na cidade.

Os missionários veem no Catolicismo brasileiro uma religião supersticiosa, sincrética e medieval e argumentam que só o Protestantismo teria condições de promover os ideais da democracia, do individualismo, da igualdade de direitos civis, e da liberdade intelectual e religiosa no país. Os missionários promoviam nas suas congregações um estilo de vida pautado pelos valores da responsabilidade individual, da autonomia de governo local, e de uma forma democrática de decisão coletiva.

Ao contrário dos presbiterianos, os batistas não sofrem cisões ou criam outras igrejas protestantes no período. Comparado com outras denominações protestantes do século XIX, o crescimento batista nos primeiros vinte e cinco anos é impressionante.

Em ambas as missões, o investimento na educação teológica foi fundamental para a criação de uma liderança protestante nacional. A rede de escolas das duas missões foi importante para ajudá-las a criar raízes no país, apesar de não gerar o número de convertidos que elas esperavam. A visão das duas missões de se expandirem em várias regiões do território nacional facilitam a criação de lideranças regionais e de focos de congregações, associações, presbitérios, e sínodos em várias regiões do país que vão contribuir para uma maior diversidade do trabalho denominacional.

Todo resultado é precedido por um contexto, fatores condicionais e modelo de tomada de decisões. Não é diferente, quando analisamos os resultados das missões batista e presbiteriana. Batistas se posicionaram fortemente contra as doutrinas católicas, ao passo que anunciavam seus valores e princípios nas comunidades. Esta abordagem, ao passo que suscitou retaliações, também gerou um número maior de adeptos. A evangelização direta, sua ética rigorosa e sua forma eclesiástica simplificada também destaca o modelo batista, do modelo presbiteriano. Os batistas também souberam lidar com conflitos internos e evitaram as dissensões, que fragmentaram a missão presbiteriana.

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